Sertão
A área de atuação da rede Adapta Sertão é a região semi-árida que está entre as mais pobres do Brasil. É caracterizada por um clima com períodos de secas recorrentes que afetam cerca de dois milhões de famílias, um regime de chuva baixo e muito irregular, podendo variar entre 200 e 1000 mm/ano. Vivem na região cerca de 45% dos pobres brasileiros (18 milhões de pessoas). A base da economia é a agricultura de subsistência (aipim, milho, feijão e hortaliças) e criação de gado, no regime de agropecuária extensiva.
Entre o 20% e 50% das chuvas caem durante várias “trovoadas”, ou seja, precipitações muito intensas e concentradas (entre 10 minutos até 2 horas em média) que não permitem que a água infiltre no solo. Para aproveitar a água dessas trovoadas e com o objetivo de aumentar a capacidade hídrica da região semi-árida, o governo brasileiro com a colaboração de organizações internacionais como o Banco Mundial, começou a construir a partir dos anos sessenta centenas de reservatórios artificiais chamados de “açudes” para recolher água das trovoadas. O objetivo dos açudes era prover água para três usos principais: uso doméstico principalmente durante os períodos de seca mais intensa, criação de gado e agricultura. O uso da água para fins agrícolas acabou sendo muito deficiente porque não há ainda uma política pública que leve em consideração a realidade local dos municípios do semi-árido. Durante a instalação dos sistemas de irrigação na fase piloto do projeto Pintadas-Solar foi possível verificar as seguintes deficiências:
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Acesso limitado à tecnologia e assistência técnica - Existem sistemas de bombeamento de água e irrigação por gotejamento apropriado para o semi-árido, mas não há uma rede de distribuição comercial que atenda a esses municípios. Portanto, a tecnologia quando existe é cara. Falta a assistência e a capacitação técnica necessárias para satisfazer as necessidades locais.
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Falta de insumos de baixo custo - O uso de sementes resistentes à seca e de corretores de solo, a autoprodução de fertilizantes orgânicos e métodos de controle de pragas de baixo custo são ferramentas fundamentais para maximizar a produção agrícola no semi-árido. No entanto, raramente os projetos governamentais apóiam a disseminação de estratégias de produção mais integradas.
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Falta de mecanismos de financiamento e acesso ao mercado adequado à realidade local - O governo brasileiro disponibilizou crédito subsidiado (Programa Nacional de Agricultura Familiar/PRONAF) que infelizmente não tem sido utilizado adequadamente para aumentar a produção da agricultura de pequena propriedade por falta de capacitação e orientação técnica dos agricultores e dos gerentes dos bancos rurais que continuam dando suporte a tecnologias convencionais com baixa eficiência. O acesso ao mercado é essencial para dar sustentabilidade aos cultivos que podem gerar renda.
Além dos aspectos relatados acima, a ineficiência do sistema produtivo agrícola do semi-árido tem quatro conseqüências principais: (i) a pobreza persistente da região; (ii) a má nutrição das crianças no meio rural; (iii) o desmatamento da caatinga; e (iv) o êxodo rural principalmente dos homens que migram geralmente para os grandes centros urbanos, deixando mulheres e crianças à espera dos recursos. Essa desagregação familiar acarreta inúmeros problemas sociais tanto para os homens que migram quanto para as mulheres e crianças que ficam no sertão enfrentando situações de pobreza extrema. |