Visão
Caracterizada por períodos de secas recorrentes, a região do nordeste do Brasil é considerada uma das mais social, econômico e ambientalmente vulneráveis do Brasil. Os últimos relatórios do Painel Internacional de Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que as secas e enchentes nas regiões tendem a intensificar-se, fato que vem sendo registrado e tem chamado a atenção de pesquisadores e formuladores de políticas públicas. Desde a década de 1960, o governo Brasileiro investe na região e conseguiu diminuir os efeitos e impactos da seca mediante a construção de centenas de açudes, lagos artificiais de médio e grande porte para armazenar a água de chuva torrencial) instalados na maior parte dos municípios da região. Essas ações aumentaram os recursos hídricos disponíveis, no entanto, o impacto na qualidade de vida das pessoas ficou aquém do esperado e do necessário. A base da economia na região continua sendo a agropecuária extensiva principalmente distribuída em grandes propriedades de terra, principal causa do desmatamento, e a agricultura de subsistência, distribuídas em sistemas produtivos altamente ineficientes. O bioma da região, a caatinga, vem sendo reduzido, tornando as conseqüências ambientais das secas ainda mais severas.
Foi através da observação dessa realidade e em contato com programas governamentais de combate à seca, que várias lideranças do terceiro setor, da academia e do setor privado iniciaram no ano 2004 a trabalhar juntos na articulação de recursos tecnológicos, humanos, financeiros e de políticas públicas com o propósito de incubar novas práticas de convivência com a seca e adaptação à mudança climática que tenham como princípio um melhor aproveitamento da infra-estrutura hídrica já disponível (açudes, barreiros e poços). A visão é a de garantir a segurança alimentar e a geração de renda baseada na pequena e média propriedade agrícola, produzindo sem destruir o ecossistema local.
O projeto “Pintadas Solar” (www.pintadas-solar.org) desenvolvido entre 2006-2008 no município de Pintadas, Bahia, deu início ao laboratório de aprendizagem dessa abordagem e acabou transformando-se numa tecnologia social, por seu caráter inovador de articular recursos técnicos, científicos, sociais e de políticas públicas com vistas a gerar renda e adaptar comunidades vulneráveis aos efeitos da mudança climática. O projeto foi considerado uma boa prática pelo prêmio de Dubai/ UN-Habitat (2008) e pela organização Wisions (2006). Recebeu o prêmio SEED 2008 (www.seedinit.org), escolhido entre mais de 400 projetos no mundo, como uma das cinco práticas que merecem ser trabalhadas em escala.
A partir da experiência desenvolvida em Pintadas surgiu a rede Adapta Sertão. A rede articula municípios, instituições publicas, privadas e do terceiro setor com vistas a integrar recursos técnicos, científicos e humanos para ajudar o (a) pequeno (a) e médio (a) agricultor (a) a se adaptar à mudança climática. A metodologia de atuação da rede é baseada na implementação de tecnologia social baseada em tecnologias adequadas, micro-financimentos, capacitação técnica e administrativa e acesso ao mercado.
A visão da rede Adapta Sertão é disseminar um modelo de adaptação à mudança climática na região do semi-árido baseado no desenvolvimento da agricultura de pequena escala contribuindo para a segurança alimentar, a redução da pobreza e a sustentabilidade da caatinga.
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